Resenha: A revolução dos bichos

Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Comprar: Cultura / Submarino
Classificação:


"Quanto aos outros, sua vida, ao que sabiam, continuava a mesma. Geralmente, andavam com fome, dormiam em camas de palha, bebiam água no açude e trabalhavam no campo; no inverno, sofriam com o frio; no verão, com as moscas. De vez em quando, os mais idosos rebuscavam a apagada memória e tentavam determinar se nos primeiros dias de rebelião, logo após a expulsão de Jones, as coisas tinham sido melhores ou piores que agora."


A revolução dos bichos, do escritor nascido na Índia e criado na Inglaterra, Eric Arthur Blair, conhecido pelo pseudônimo George Orwell, é um livro cuja primeira publicação foi em 1945, e aconteceu depois de muita dificuldade, visto ser o livro uma crítica ferrenha à ditadura stalinista. Essa crítica foi feita em forma de fábula, em que cada animal, se analisado detalhadamente, pode ser associado a algum personagem da Revolução Russa.


A história começa quando o Major, um velho porco, percebe que sua morte está chegando e faz uma reunião com todos os bichos da Granja do Solar para lhes falar de um sonho estranho que tivera. Antes, porém, de lhes falar sobre o sonho, Major falou-lhes sobre a camaradagem que existia entre os animais, os quais eram TODOS IGUAIS e falou que tudo de ruim que sobrevém aos animais tem origem na tirania dos homens, os quais não produzem absolutamente nada e se acham no direito de subjugar os animais, decidindo inclusive quando sua vida deve ter fim, como fazia constantemente o Sr. Jones, dono daquela granja. Depois disso, o Major conta sobre o sonho, dizendo tratar-se de uma música que há muito tempo ele ouvira, mas que não sabia a letra por completo e que, com o sonho, ele se lembrara. Então, ele se põe a cantar a música, chamada de "Bichos da Inglaterra" que fala de como é importante lutar pela liberdade e que os bichos deviam lutar por essa liberdade, mesmo que isso lhes custasse a vida.

Depois de alguns dias de ocorrida essa reunião, morre o Major e deixa todos os animais, camaradas, desejosos de liberdade. E a tarefa de organizar a rebelião predita pelo Major ficou sob a responsabilidade dos porcos, reconhecidos como os mais inteligentes dentre os animais. Dentre os porcos da granja, destacavam-se dois: Napoleao e Bola-de-Neve. Apesar de Bola-de-Neve ter mais simpatia e modo mais fácil de se comunicar, era Napoleão quem gozava de mais prestígio, quanto à questão de caráter.

A partir de então, eles começam a organizar reuniões para discutir pontos da rebelião e encerravam essas reuniões entoando a canção Bichos da Inglaterra. Por fim, antes do que se esperava, conseguiu-se realizar a rebelião, da qual os bichos saíram vitoriosos, expulsando da granja Jones, sua mulher e os peões. Posteriormente à vitória, as reuniãoes continuavam a acontecer e, em uma dessas reuniões, os animais, liderados por Napoleão e Bola-de-Neve, decidem que os princípios do Animalismo deveriam ser resumidos em sete mandamentos que seriam escritos na parede e seriam a lei INALTERÁVEL, através da qual a vida dos animais seria regida para sempre. Os sete mandamentos eram:

1 - Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo;
2 - O que andar sobre quatro pernas, ou tiver asas, é amigo;
3 - Nenhum animal usará roupa;
4 - Nenhum animal dormirá em cama;
5 - Nenhum animal beberá álcool;
6 - Nenhum animal matará outro animal;
7 - Todos os animais são iguais.

No início, após essas deliberações, a vida era muito boa: todos trabalhavam e recebiam igualmente a recompensa pelo seu trabalho em forma de boa alimentação, descanso, folgas e, inclusive, o nome da granja mudou para Granja dos Animais. Porém, com o passar do tempo, os animais foram notando algumas coisas estranhas, como, por exemplo, desentendimentos e diferenças de opinião entre Napoleão e Bola-de-Neve; retirada da convivência dos pais de alguns animais (como cachorros), após serem desmamados, para serem criados por Napoleão; desaparecimentos de animais etc.

Além disso, paulatinamente, os animais são levados a trabalhar exaustivamente e os mandamentos vão sendo literalmente apagados. Então, para completar, as diferenças entra Napoleão e Bola-de-Neve se acirraram a um ponto que houve realmente uma divisão muito grande entre eles, visto que Bola-de-Neve proposera a construção de um moinho-de-vento, o qual aliviaria e muito a carga de trabalho dos animais e, obviamente, Napoleão se opusera ao mesmo, cabendo aos animais decidirem se aceitariam esse projeto ou não. Quando Bola-de-Neve convenceu a maioria dos animais, devido à sua eloquência, entram diversos cachorros mal-encarados (aqueles que Napoleão recolhera para criar) e expulsam Bola-de-Neve que sai corrido da granja e nunca mais volta.

Napoleão, ajudado por outro porco, Garganta, explica que Bola-de-Neve era, na verdade, um traidor e que foi merecidamente expulso e nem todos os animais lembram de quantas benfeitorias ele havia implementado. A história segue mostrando os detalhes de como ficara a vida da granja a partir de agora.

Lido por um leitor desavisado, a história pode não passar de uma bobagem; olhado com um olhar mais profundo, percebemos as semelhanças com a citada Revolução Russa e percebemos facilmente que Napoleão corresponde à figura de Stalin e Bola-de-neve, à figura de Trotski, o qual propunha a ideia de uma revolução permanente e de um socialismo levado ao mundo, ideia da qual Stalin discordou, destituindo Trotski de suas funções, expulsando-o do partido e deportando-o da União Soviética. O tom de crítica é muito intenso, inclusive pela analogia que é feita, por exemplo, com os líderes que são representados por porcos, o que é claramente lido pelos russos como ofensa.

Assim, A revolução dos bichos é, na verdade, uma aula de história, contada a partir de uma linguagem simples, promovendo, assim, o fácil entendimento. O livro mostra o ideal do socialismo e como o mesmo pode ser largamente distorcido. A leitura vale muito a pena.
7

7 comentários:

Sora Seishin disse...

Olá!!
Eu queria muito ler esse livro. Li 1984 e adorei, é muito bom. Mesmo tendo sido escrito há tantos anos, as críticas de George Orwell se mantem super atuais.
Beijos e feliz 2011!

Patrícia Tavares disse...

Sora, feliz 2011 para vc tb. Quanto ao livro, adorei A revolução dos bichos. Orweel consegue fazer uma crítica muito séria numa linguagem bem amena! Sensacional. Em breve, postaremos tb sobre 1984 tb! Bjão!

Pedro disse...

exatamente o livro q tou relendo. é interessante que mesmo as melhores idéias são estragadas por quem tá no poder.
p.s fessora ana paula, queria ler mais posts seus

Patrícia Tavares disse...

Pedro, é exatamente isso que o livro mostra...ideias estragadas por quem está no poder e a incapacidade de as pessoas serem igualitárias...muito bom mesmo o livro. Ótima releitura para vc!

Claudinha Oliveira disse...

Excelente resenha! Ambição do ser humano, ganância de poder, tudo brilhantemente mostrado nessa história de ficção. Fiquei maravilhada a cada capítulo que li na primeira vez. Me bateu até saudades...é...vou ler de novo!

Meninas, vocês estão de parabéns! Blog muito bom e com resenhas fantásticas. Porém sinto falta aqui das resenhas de obras literárias mundiais como: Os miseráveis, Dom Quixote de La Mancha, Barão de Münchhausen, Fausto, Dom Casmurro, O Guarani, Divina comédia, Cime e Castigo, O príncipe, Sonhos de uma noite de verão, A Odisséia, entre outros....

Rogerio Floripa disse...

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Alessandra Pereira disse...

Muito ansiosa pra ler esse livro , adorei a resenha!

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